06 set 18
Vamos iluminar o mundo?

Era uma vez…

Havia uma pequena garota que tinha medo de crescer. Ela poderia se esconder nos cantos da sua antiga casa, com medo dos monstros, mas, assim que olhasse para fora da janela, lá os enxergava.

Eles não estavam em sua cabeça.

Eles eram reais.

Eles eram humanos.

A ameaça assumiu duas formas:

Primeira: o bullying que, gradualmente, lhe tomou a saúde e a alegria de viver.

Segundo: as pessoas que lhe tomaram seu direito de viver como uma adolescente normal com viagens, risadas e vitórias.

(tw: menção sem aprofundamento de suicídio e automutilação)

━━━ ❤ ━━━

Os cantos da antiga casa se tornaram seu lugar seguro. Ela não tinha força para lidar com as pessoas e com as situações que a colocavam para baixo. Ela se tornou quieta e triste, migrando para a depressão e para a automutilação.

Através da janela, eu a vi lutando. Ela não conseguia entender porque tudo isso estava acontecendo com ela. Ela verdadeiramente acreditou que eles a provocavam porque havia algo de errado consigo mesma.

Em um raro momento otimista, ela achou que essas situações desconfortáveis não durariam para sempre.

Mas durara e ela desistiu.

Cada palavra e ato cruéis formaram cicatrizes, algumas mais profundas e outras permanentes. As cicatrizes trilharam caminho em seu corpo delicado, consumindo seu coração e sua alma. Para ela, não havia nada mais a viver. Ela não era o bastante. Esses momentos a mudaram de dentro para fora, e os primeiros sinais de angústia começaram.

Ela queria desaparecer.

Ela queria se machucar.

Ela estava tão cansada,

desesperada para não viver mais.

━━━ ❤ ━━━

Isso é parte de uma história real. Às vezes, não vemos os sinais. Eles nos enganam, mas estão lá.

É importante prestarmos atenção naqueles que estão ao nosso redor, especialmente as pessoas amadas que podem contar uma inegável mentira e fazer com que acreditemos que está tudo bem.

Nesse caso narrado, eu não entendi de primeira e pensei que era tarde demais. Porém, essa garota pediu por ajuda e eu estava lá para segurar sua mão. Para dizer a ela que estava ali para ajudá-la a rever a beleza do mundo.

Ao redor do mundo, 1 caso de suicídio é registrado a cada 40 segundos. Estatística que continua a preocupar, principalmente entre adolescentes que sofrem com as pressões vindas da infância e do bullying. A Organização Mundial da Saúde (WHO) prevê que, em 2020, a depressão será a segunda principal causa de incapacidade no mundo e, em 2030, será a maior contribuinte para a carga de doenças.

Nem sempre sabemos o que acontece com as pessoas ao nosso redor, mas sinais de angústia existem. Depressão e automutilação estão escondidas nas entrelinhas da vida. Quando adolescentes, pais, crianças ou qualquer um mostra os sinais de desistência sobre si e sobre sua vida, não é algo a ser ignorado. Não é poesia ou só um teatro. É sério.

O Setembro Amarelo começou. Este mês vem com uma nova chance de dizer àquela garota ou àquele garoto, àquela mulher ou àquele homem, que não estão sozinhos; que há luz e esperança. Nosso mundo é imensamente difícil de viver e é necessário fornecer e receber ajuda quando necessário.

Depressão e suicídio não devem ser ignorados. Eles são reais. Eles estão afundando vidas e precisamos falar sobre isso.

Mais do que nunca é hora de dizer: eu me importo com você e estarei aqui como sua luz.

Quero que vocês saibam que sua história e sua jornada importam. Tudo ficará bem.

Vamos ser luzes e iluminar outras vidas. Vamos iluminar uns aos outros. Vamos lutar juntos por quem somos. Vamos lutar por aquela garota e por aquele garoto incrível. Não vamos permitir que vidas escapem entre nossos dedos. Podemos fazer a diferença e transformar dias escuros em claros.

Vamos fazer isso!

Este texto foi originalmente escrito em 2015 para o blog do I Am That Girl. Sempre perdi a chance de publicá-lo e chegou a hora (finalmente). Houve algumas alterações, mas mais por questões de época. 

Texto Original: Let’s light up the world.

 

Contra as Feras tem apenas o intuito de gerar conversas/conscientização. Caso se identifique com alguma postagem mais direcionada/específica, por favor, busque ajuda especializada. Há atendimento nos Centros de Atenção Psicossocial – CAPS e no Centro de Valorização da Vida (CVV) – pelo site e pelo 188. Algumas universidades também oferecem atendimento gratuito/com preço acessível (e o recomendado é ligar antes de ir até o local).

Stefs Lima
Jornalista, fundadora do Contra as Feras e líder de um Capítulo Local do movimento internacional chamado I Am That Girl. Ela vê a escrita como superpoder de criação e de comunicação capaz de tornar o mundo melhor.
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