23 fev 18
Não maltrate seu corpo. Você se maltrata totalmente no processo.

Alguns dias, mais precisamente quando minha autoestima está baixa, evito me olhar no espelho. Passo o menor tempo possível empacada diante dele, mas ainda sim dou um jeito de alinhar meus cachos, passar batom para tirar a palidez da face sonolenta e blush para dar um tom mais saudável à minha pele. Não quer dizer que consiga cumprir toda essa lista impecavelmente, pois, durante esses dias ruins, algumas coisas tendem a passar, como o creme que também funciona como protetor solar. Antes, eu ficava muito preocupada com esses dias, pois acabo me cobrando demais e pontuando coisas irreais sobre mim. Ainda me cobro, mas, agora, me entrego aos dias cinza um tanto mais consciente de que uma hora precisarei retornar ao ringue e focar no propósito.

É difícil, mas aprendi a aceitar que o isolamento me faz mais mal que bem. Um aprendizado aprimorado em dias bons e ruins.

Fato é que, além do famigerado comfort food, desconto grande parte das minhas insatisfações na aparência. Ver-me, em tese, desleixada é uma expressão da famigerada questão: se nada está bem, não há motivos para me esforçar. A visão externa sobre eu mesma, o tratamento que me dou em dias ruins, é o passe para sinalizar que há algo de errado dentro de mim. Algo fora do compasso. Só que há um peso a mais quando ajo dessa maneira e que se expressa no meu corpo.

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Stefs Lima
Jornalista, fundadora do Contra as Feras e líder de um Capítulo Local do movimento internacional chamado I Am That Girl. Ela vê a escrita como superpoder de criação e de comunicação capaz de tornar o mundo melhor.
20 fev 18
Perfeccionismo vs. Transtornos Alimentares

Algumas coisas que ocorrem na nossa vida são simplesmente inexplicáveis. Só experienciando mesmo para saber como funciona determinadas adversidades, que podem se resumir a uma palavra que pode ir muito além da sua definição. Perfeccionismo é um caso, cuja lembrança é estranhamente semelhante a um humano transitando para o vampirismo (uma referência a série The Vampire Diaries). Em um passado não tão distante, me vi indagando sobre o quando a minha necessidade de ter tudo em seu perfeito lugar me pegou. Não sei também se era algo que vivia o tempo todo comigo e que só precisava de um estampido para aflorar. Só sei que esse súbito controle, “inspirado” em expectativas surreais, deixou meus sentimentos intensificados (o que calha na exemplificação acima).

Citei o exemplo dos vampiros porque a transição deles, tendo em vista a série de referência, acontece da seguinte forma: todos os sentimentos intrínsecos à personalidade de quem é mordido ficam intensificados. Até a transição ser concluída e haver uma adaptação, as emoções extrapolam. Ato que revela o melhor e/ou o pior da pessoa que acabou sendo mordida. O transtorno alimentar foi a minha mordida. O perfeccionismo engatilhou nessa minha “transição” – que rebate na questão de aparência – e se “tranquilizou” quando me “readaptei” pós-TA.

Com um rebobinar mental, esse papo de perfeccionismo encontrou seu pico com o transtorno alimentar. Mas, antes da bulimia, alguns sinais que me “faziam” fã da perfeição se deram por meio de um senso de controle quanto ao meu espaço e da necessidade fora do comum de cumprir um cronograma perfeitamente.

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Stefs Lima
Jornalista, fundadora do Contra as Feras e líder de um Capítulo Local do movimento internacional chamado I Am That Girl. Ela vê a escrita como superpoder de criação e de comunicação capaz de tornar o mundo melhor.
07 fev 18
Eating Recovery Day: conscientização sobre a recuperação de transtornos alimentares

Este é um texto extremamente antigo, mas que não deixa de pautar um assunto muito necessário. No caso, a conscientização sobre transtornos alimentares, que será o tema do mês de fevereiro.

No dia 3 de maio de 2016, participei (online) do primeiro Eating Recovery Day. Uma iniciativa promovida pela organização Eating Recovery Center que visa chamar a atenção sobre a importância da busca pela recuperação quanto aos transtornos alimentares. Além disso, pontuar que essa recuperação pode ser árdua, mas é possível para todos. Foi um único dia de evento, mas o suficiente para sensibilizar.

A conversa rolou via Twitter – e foi o canal que me fiz presente – e houve muito material de conscientização. Por meio de alguns questionamentos feitos pela mencionada instituição, muita positividade foi transmitida. Acompanhei algumas histórias e me vi admirada com a coragem dos participantes em contar seus capítulos de luta e de superação. Inclusive, revelar como ainda batalham para ter uma vida e uma autoimagem saudáveis.

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Stefs Lima
Jornalista, fundadora do Contra as Feras e líder de um Capítulo Local do movimento internacional chamado I Am That Girl. Ela vê a escrita como superpoder de criação e de comunicação capaz de tornar o mundo melhor.
26 jan 18
Desconstrua-se: sobre usar transtornos mentais como adjetivos

Vamos começar este texto com uma das minhas frases favoritas: ninguém nasce desconstruído. Uma vez que ninguém nasce desconstruído é quase uma praxe repetirmos frases, jargões e afins sem ao menos pararmos e pensarmos no que pronunciamos e em quem afetamos no processo. Fui uma dessas pessoas e, pouco a pouco, me liberto. Já não compartilho memes que partem de cenas de bullying. Não meto o surtando para expressar meus momentos de felicidade. Não digo que estou depressiva para expressar apenas a chateação com algum evento da minha vida.

Um processo que não ocorre de uma hora para a outra, mas se faz necessário.

O tenso de você começar a ver determinadas coisas de uma nuance diferente é que todas elas passam a irritar. Uma vez que você se desconstrói, o desejo é que outras pessoas façam o mesmo e parem de se prestar a determinados papéis. Como usar transtornos mentais como adjetivos.

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Stefs Lima
Jornalista, fundadora do Contra as Feras e líder de um Capítulo Local do movimento internacional chamado I Am That Girl. Ela vê a escrita como superpoder de criação e de comunicação capaz de tornar o mundo melhor.
23 jan 18
Eu existo e sou grata por você existir também

Eu tenho a singela sensação de que, neste momento, nossos pensamentos se entremeiam no mesmo ritmo a fim de encontrar um sentido para a existência. Uma reflexão que tende a ser constante, especialmente quando a nossa própria existência parece fora do lugar. Fora de tom. Sem nexo algum.

É provável que você sinta aquela forte e incompreensível angústia. Que conquista tangibilidade e pungência ao se perceber que não há uma resposta exata para esse questionamento. E por não haver uma dita resposta exata, nos vemos naquela espiral regada de estrelas ou de trevas que martela em nossa mente com outras indagações que podem aguçar ou entorpecer os nossos sentidos.

Tudo com base no como vivemos agora.

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Stefs Lima
Jornalista, fundadora do Contra as Feras e líder de um Capítulo Local do movimento internacional chamado I Am That Girl. Ela vê a escrita como superpoder de criação e de comunicação capaz de tornar o mundo melhor.
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