17 maio 18
Conselho 4: Tudo bem em sentir o que tiver que sentir

Recebi o convite da boss mais Bela & Fera de todas para fazer parte do especial Coisas que toda Garota deve Saber. Mas, como uma boa canceriana, logo me questionei: será que tenho algo para compartilhar? Foi então que ela mesma, num simples comentário, provocou um estalo dentro de mim:

Pense em um conselho que você gostaria de ter recebido.

E, assim, nasceu o tema. Inicialmente, achei carregado e negativo, mas, depois de digeri-lo melhor, admiti que seria necessário. Admiti que falar sobre esse sentimento é aquele algo que gostaria de ter ouvido quando mais nova. Mesmo não compreendendo como isso mudaria quem sou hoje.

Acredito que devemos sempre, independentemente da intensidade, nos permitir sentir. E esse sentir nem sempre é leve, confortável e, digamos assim, positivo.

Decidi então falar sobre a Raiva.

 

“Por vezes a palavra representa um modo mais hábil de se calar do que o silêncio.” – Simone de Beauvoir

 

Sempre colocado numa caixa pesada, repleta de negatividade, a Raiva pode ser externada devido a protestos internos e externos, inseguranças e frustrações. Não apenas pela violência e pelo ódio, como muitos atrelam esse sentir. Cada uma de nós lida com essa danada de uma forma. No meu caso em específico, optei por anulá-la, trancando-a na gaveta mais secreta e segura da minha alma.

Só que contrário ao que pretendia quando criança e adolescente, meu subconsciente não jogou tal chave fora. Já jovem adulta, consegui abri-la no momento que me dei meu maior presente: começar a fazer terapia.

O simples fato de falar sobre ela me provoca algo. Seria raiva de sentir raiva? Na verdade, o grande revés foi quando minha terapeuta (#saudade) verbalizou que não havia nada de errado em sentir raiva, mesmo que à época nunca visse dessa forma.

Algumas buscam a perfeição. Outras buscam ser motivo de orgulho para alguém. Comigo, levei boa parte da minha vida me escondendo e ficando em silêncio. O meu sentir sempre parecia menos importante diante daqueles que amo. Bom, era assim que meu eu do passado fantasiava a realidade. Sim, isso é um trend na vida da Maricota aqui.

Deliberado ou não, encontrei meu mecanismo de defesa. Minha resiliência, mas a danada da Raiva nunca se manifestava. Afinal, escolhi ser a Mariana boazinha e compreensível em prol de uma situação que poderia ser sempre mais alarmante. Era como se houvesse um organismo paralelo que tomava conta, algo como minha hospedeira emocional tentando me proteger.

Sabendo que a vida não é nenhum filme de ficção científica, demorei duas décadas para finalmente ouvir minha voz. Perante todo o barulho, que sempre se chocava com meu silêncio, eu gritei. E tal grito ainda ecoa dentro de mim.

Ali, eu abracei a Raiva como minha velha amiga. Comparecer à terapia, uma vez por semana, de 2009 até meados de 2014, me fez entender mais sobre a situação da qual vivi. Mais importante, sobre eu mesma.

Meu grande medo era que, se eu me permitisse a sentir Raiva, não conseguiria sentir Amor. Algo que, mesmo perante todas as dificuldades, sempre recebi. Aprendi que essa dualidade pode existir dentro de mim.

Externar e admitir que senti raiva, permitiu deixar aquela garota assustada e calada em paz. E, desde então, reaprendi a andar de forma mais leve. Foi como se eu transformasse o aval da minha terapeuta no meu aval para viver conforme minhas regras.

Meu sentimento é a Raiva, mas, como mesmo disse, ela se manifesta de diversas formas. Com certeza, cada uma de nós pode ter algo que nos aflige e nos segura no chão.

Se eu pudesse então aconselhar uma garota, eu diria a ela: olhe e cuide com carinho do sentimento bestial que existe dentro de você. Não é porque está ali que você precisa silenciá-lo.

 

━━━ ❤ Escrito com amor por Lady Maricota.

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Coisas que toda Garota deve Saber é uma coluna de conselhos para adolescentes. Se tiver interesse em contribuir, basta mandar uma mensagem para: blogbelaeferas@gmail.com.

Contra as Feras
Conversas, histórias, empoderamento e inspiração na voz daqueles que também possuem muito o que dizer sobre suas batalhas diárias contra as feras.
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