Contra as Feras
21 ago 18
Depressão: Estereótipos – Parte 1

Demorei muito para decidir se escreveria esta coluna usando um pseudônimo ou assumindo minha real identidade. Foi um debate interno que levou alguns dias, mas decidi que seria preciso fazer dela algo pessoal já que este texto é verídico. Isso significa pôr a cara no sol.

Prazer, meu nome é Mylene.

Quando falamos sobre depressão, estamos acostumados a pensar em mil frases prontas. Isso é o que chamamos de estereótipos. As frases prontas e os “conselhos” que envolvem o tema geralmente transformam a doença em algo fútil. Como se fosse simplesmente um estado de espírito onde a pessoa escolhe ficar triste para chamar a atenção.

Apesar de ser um tema que está em alta nos meios de comunicação, grande parte das pessoas ainda não compreendeu a sua seriedade. Por isso, ainda se carrega a ideia fixa de que depressão é coisa de gente louca ou de gente desocupada.

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Contra as Feras
Conversas, histórias, empoderamento e inspiração na voz daqueles que também possuem muito o que dizer sobre suas batalhas diárias contra as feras.
20 fev 18
Perfeccionismo vs. Transtornos Alimentares

Algumas coisas que ocorrem na nossa vida são simplesmente inexplicáveis. Só experienciando mesmo para saber como funciona determinadas adversidades, que podem se resumir a uma palavra que pode ir muito além da sua definição. Perfeccionismo é um caso, cuja lembrança é estranhamente semelhante a um humano transitando para o vampirismo (uma referência a série The Vampire Diaries). Em um passado não tão distante, me vi indagando sobre o quando a minha necessidade de ter tudo em seu perfeito lugar me pegou. Não sei também se era algo que vivia o tempo todo comigo e que só precisava de um estampido para aflorar. Só sei que esse súbito controle, “inspirado” em expectativas surreais, deixou meus sentimentos intensificados (o que calha na exemplificação acima).

Citei o exemplo dos vampiros porque a transição deles, tendo em vista a série de referência, acontece da seguinte forma: todos os sentimentos intrínsecos à personalidade de quem é mordido ficam intensificados. Até a transição ser concluída e haver uma adaptação, as emoções extrapolam. Ato que revela o melhor e/ou o pior da pessoa que acabou sendo mordida. O transtorno alimentar foi a minha mordida. O perfeccionismo engatilhou nessa minha “transição” – que rebate na questão de aparência – e se “tranquilizou” quando me “readaptei” pós-TA.

Com um rebobinar mental, esse papo de perfeccionismo encontrou seu pico com o transtorno alimentar. Mas, antes da bulimia, alguns sinais que me “faziam” fã da perfeição se deram por meio de um senso de controle quanto ao meu espaço e da necessidade fora do comum de cumprir um cronograma perfeitamente.

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Stefs Lima
Jornalista, fundadora do Contra as Feras e líder de um Capítulo Local do movimento internacional chamado I Am That Girl. Ela vê a escrita como superpoder de criação e de comunicação capaz de tornar o mundo melhor.
07 fev 18
Eating Recovery Day: conscientização sobre a recuperação de transtornos alimentares

Este é um texto extremamente antigo, mas que não deixa de pautar um assunto muito necessário. No caso, a conscientização sobre transtornos alimentares, que será o tema do mês de fevereiro.

No dia 3 de maio de 2016, participei (online) do primeiro Eating Recovery Day. Uma iniciativa promovida pela organização Eating Recovery Center que visa chamar a atenção sobre a importância da busca pela recuperação quanto aos transtornos alimentares. Além disso, pontuar que essa recuperação pode ser árdua, mas é possível para todos. Foi um único dia de evento, mas o suficiente para sensibilizar.

A conversa rolou via Twitter – e foi o canal que me fiz presente – e houve muito material de conscientização. Por meio de alguns questionamentos feitos pela mencionada instituição, muita positividade foi transmitida. Acompanhei algumas histórias e me vi admirada com a coragem dos participantes em contar seus capítulos de luta e de superação. Inclusive, revelar como ainda batalham para ter uma vida e uma autoimagem saudáveis.

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Stefs Lima
Jornalista, fundadora do Contra as Feras e líder de um Capítulo Local do movimento internacional chamado I Am That Girl. Ela vê a escrita como superpoder de criação e de comunicação capaz de tornar o mundo melhor.
26 jan 18
Desconstrua-se: sobre usar transtornos mentais como adjetivos

Vamos começar este texto com uma das minhas frases favoritas: ninguém nasce desconstruído. Uma vez que ninguém nasce desconstruído é quase uma praxe repetirmos frases, jargões e afins sem ao menos pararmos e pensarmos no que pronunciamos e em quem afetamos no processo. Fui uma dessas pessoas e, pouco a pouco, me liberto. Já não compartilho memes que partem de cenas de bullying. Não meto o surtando para expressar meus momentos de felicidade. Não digo que estou depressiva para expressar apenas a chateação com algum evento da minha vida.

Um processo que não ocorre de uma hora para a outra, mas se faz necessário.

O tenso de você começar a ver determinadas coisas de uma nuance diferente é que todas elas passam a irritar. Uma vez que você se desconstrói, o desejo é que outras pessoas façam o mesmo e parem de se prestar a determinados papéis. Como usar transtornos mentais como adjetivos.

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Stefs Lima
Jornalista, fundadora do Contra as Feras e líder de um Capítulo Local do movimento internacional chamado I Am That Girl. Ela vê a escrita como superpoder de criação e de comunicação capaz de tornar o mundo melhor.
15 jan 18
Desconstrua-se: uma conversa breve sobre transtorno mental

Há uma coisa que ouvi, e ainda ouço, bastante e que não tinha noção do quanto me incomodava: a afirmação de que uma pessoa com depressão ou está com frescura ou com falta do que fazer. Há também o fato de se “sentir depressivo” por tudo – e cheguei a usar tal “afirmação”, não nego, no passado (e prometo um post sobre este assunto muito em breve). Uma vez que dei voz ao processo da minha desconstrução, passei a ficar mais esperta com algumas coisas que pertencem a este contexto e que desagradam e/ou já ultrapassaram o limite.

Como o uso de transtorno mental, ou qualquer outro tipo de doença, como adjetivo.

Basta rolar o feed por alguns minutos. Você pescará sentenças que incluem algum transtorno mental para justificar sentimentos temporários e/ou comportamentos (“preciso organizar minha mesa porque tenho TOC”). Meios de expressão “normais” meramente porque passam batidíssimos. É um “hábito” que está ali, no nosso cotidiano, e que meio mundo usa para se manifestar. Atitude errônea, ofensiva, que precisa passar por um processo de desconstrução/revisão. Afinal, manter esse papo “elogioso” abre espaço para a banalização.

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Stefs Lima
Jornalista, fundadora do Contra as Feras e líder de um Capítulo Local do movimento internacional chamado I Am That Girl. Ela vê a escrita como superpoder de criação e de comunicação capaz de tornar o mundo melhor.
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