04 jan 18
2018: O ano da batalha Contra as Feras

A Bela e as Feras já completou o famigerado um ano (e ruma para o segundo, amém!) e o primeiro ano sempre tem seu próprio jeito de ser um tanto revelador ao mesmo tempo em que é um tanto desconfortável. Revelador porque você compreende processos. Desconfortável porque parece que você não aprendeu nada. Uma soma que está longe de ser negativa, afinal, conforme você se dedica a um projeto, é normal descobrir na trajetória como as coisas precisam ser e como funcionam.

A parte do “precisam ser” não me agrada muito porque, assim como minha outra filha Random Girl, tudo que tem aqui não passa de um reflexo dos meus pensamentos e das minhas emoções. Pensamentos e emoções que amadureceram ao longo de quase 365 dias do ano de 2017, desenvolvendo este site que tem sua contribuição no meu processo de desconstrução – que segue firme e forte, amém. Não sou a mesma de 2016, mas meu eu de 2017 segue se redescobrindo e este site contribuiu para isso. E sou muito grata por ele ainda existir.

Esse redescobrimento também calhou na pergunta sobre o que eu queria escrever aqui. Algo que fui desvendando ao longo do processo. Por essas e outras que é difícil eu bolar algum planejamento no início de algum projeto. Gosto de vê-lo tomando forma por conta própria e a base de estalidos de inspiração do momento.

Quando fundei a Bela e as Feras, só tinha o panorama da superfície. Aqueles insights que eu poderia considerar formidáveis, mas me vi várias vezes de cara com o medo de botá-los em prática. Afinal, expor o ativismo, mesmo que muito pouco, atrai troll. Inclusive, você se sente insegura por achar que falou bobagem. Embora eu acreditasse no poder da escrita e na mensagem que queria, e ainda quero, transmitir, havia a necessidade de encontrar a confortabilidade. A segurança para seguir disseminando as palavras que acredito da forma mais honesta possível.

E, para ser bem mais honesta, eu precisava ter coragem de me expor um tanto mais.

Não me dediquei à Bela e as Feras como gostaria no ano passado (e em fins de 2016), mas não porque não acreditava no processo (algo que é comum ocorrer e eu largar de mão). Relatei o que aconteceu comigo para que meus projetos entrassem em stand-by, algo totalmente fora do meu controle. Por alguma razão, eu precisava viver aqueles meses pesados do 2º semestre de 2016 para assim chegar a este ponto. Um ponto que é desconhecido ainda, não nego. Até porque começou tardiamente, por assim dizer. Retomei minha vida e meus afazeres, uma luta que me fez bater de frente, lá nadando no tártaro, com uma ideia que sempre esteve comigo: a batalha contra as feras. Essência que norteia minha vida e este site também.

Apesar de ter revisado e me reconectado com meus projetos pessoais, muito deste site estava definido. Algo muito difícil de acontecer porque, uma vez em reavaliação, sempre dou um jeito de cortar ou de alterar alguma coisa. Quando botei este site no ar, magicamente ele estava redondinho, com todas as categorias necessárias. Fiz um teste antes, para checar minha disposição de mantê-lo, mas isso são detalhes…

Essa experiência, cheia de altos e baixos, me fez chegar a um 2018 mais esperançoso. Chego aqui consciente de que não há necessidade de grandes transformações quanto ao conteúdo desta casinha. Principalmente porque a Bela e as Feras parece ainda muito nova para mim e há muita coisa a ser explorada. O que eu preciso agora é de uma dose de inovação – não tão inovadora assim.

O que isso significa? Significa que o tema do ano será: Contra as Feras. A “chamada” oficial deste site e que, se tudo der certo, renderá novas narrativas ao longo deste ano.

Algumas coisas na minha vida brotam sem a menor dificuldade e é o caso desta casinha. Simplesmente fiz tudo em uma sentada, motivada pelo meu desejo de fazer uma mudança ainda maior visto que iniciei meu engajamento no I Am That Girl (e com o apoio da minha maravilhosa Metade). A inspiração veio de uma metáfora da minha infância regada do ideário de princesa, a mais bela de todas, em que as maiores Feras que eu enfrentava eram as interiores. Algo que ocorre com todo mundo. Infelizmente, não são todos que alcançam o interruptor para recuperar a luz de suas vidas. E eu sei disso porque estive nesse trajeto e é muito fácil deixar as sombras consumirem quem você é por inteiro. E sempre somos mais do que vemos.

Dessa forma, o Contra as Feras será uma campanha que durará ao longo deste ano. Aí sim entra a palavrinha planejamento e vocês testemunharão isso comigo.

━━━ ❤ ━━━

 

Não acredite no que as Feras dizem. Você é mais do que vê.

 

Por algum motivo que só o universo explica, parei com as postagens no Setembro Amarelo de 2016 e se criou um paradoxo, por assim dizer. Em setembro de 2017, tentei publicar os textos faltantes e não consegui. Porém, foi em setembro que simplesmente soltei a corda e o setembro passado me deu a chance de recuperá-la. Por isso, a ideia do Contra as Feras, que comentei na introdução do site, retorna como meu principal foco em um ano que seguirá sendo de regeneração também.

Lutar Contra as Feras sinalizou o começo da história deste site. Além disso, parte de um reflexo pessoal quanto a tudo que passei para ser a pessoa que escreve este texto. Parte do princípio de que eu tenho muita coisa para contar e que pode ser de ajuda para alguém.

Como disse no texto sobre retornar à narrativa, contar sua história pode ser empoderadora para alguém e é esse pensamento que me motiva a manter este projeto. Todos pertencemos a uma narrativa e ela pode ajudar qualquer outra pessoa sem ao menos percebermos. Ainda mais se tratarmos das nossas batalhas que podem ser diferentes, mas encontram seus sutis encaixes. Detalhe que nos faz notar que não estamos sozinhos, mas sim muito bem conectados.

Contra as Feras

“As Feras que me ditaram padrões no passado são as causas deste blog. Feras que colocaram minha saúde na berlinda devido à pressão de querer ser a mais bela de todas. Tive que buscar autoaceitação em vários âmbitos e consegui aliviar muito do que sinto, muito das minhas inseguranças, escrevendo. O transtorno alimentar ainda é real para mim, um capítulo que nunca me esquivarei, mesmo estando bem. Todo esse episódio me fez mais preocupada comigo mesma e mudou meu tratamento com relação ao meu corpo e minha autoimagem.”

“Todos os dias, Belas lidam com várias Feras que sempre dizem que elas não são bonitas, inteligentes, charmosas, destemidas, entre outras coisas, o bastante. Feras dizem que precisamos ter “mais lugar para apertar” ou “emagrecer porque ser gorda é relaxo” ou “casar antes dos 30 para dar tempo de ter bebês”. Feras dizem que precisamos ser ideais ao sistema. Ou seja, iguais aos tais padrões. Mas, simplesmente, podemos ser quem quisermos ser”.

 

As Feras são pessoas/situações que não nos empoderam.

O intuito da Bela e as Feras vem ainda de um dos meus mottos de vida: histórias mudam vidas.

Repetindo o discurso dado na abertura deste site, não sou perita ou psicóloga. Meu intuito com este site sempre foi gerar conversas e cortar banalização/sensacionalismo sobre determinados assuntos. Não menos importante, conscientizar. Quem sabe inspirar.

A essência deste site não se alterou, mas o foco daqui por diante será no Contra as Feras. Espero trazer mais esperança na escuridão. Não menos importante, compartilhar minha batalha diária contra várias Feras que tentam roubar o meu valor e meu caminhar imparável. Será um tempo de muita inspiração. Além disso, de reparos emocionais.

Será uma jornada e tanto!

Obrigada! ❤

Para finalizar, queria agradecer pela companhia nesse ciclo conturbado. Como notaram, voltei com as postagens, mas ainda reaprendo a ser uma equilibrista com meu tempo entre casa e trabalho. Mas esta casinha não ficará largada aos quatro ventos como nos últimos meses. Vamos acreditar!

Obrigada pela companhia e pela jornada.

 

PS: o layout também não passa de um novo sopro. O anterior não era responsivo (leia-se: era bem ruim ler no celular) e esse é. Espero que tenham gostado da reforma.

Stefs Lima
Jornalista, fundadora do Contra as Feras e líder de um Capítulo Local do movimento internacional chamado I Am That Girl. Ela vê a escrita como superpoder de criação e de comunicação capaz de tornar o mundo melhor.
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